oferecido2Quem acompanhou a E3 2016, realizada em Los Angeles, nos EUA, reparou que praticamente todas as companhias dedicaram algum momento de suas apresentações para prestar homenagens às vítimas do atentado à boate gay Pulse, em Orlando, que deixou 50 mortos na madrugada do último domingo (12).

As empresas, no entanto, não foram totalmente voluntárias em seus posicionamentos. A proposta foi feita pela Entertainment Software Association (ESA, que coordena a E3), que antes do início da feira recomendou que elas se manifestassem sobre o acontecimento. Considerando o clima de luto do país e o teor do evento, que celebra videogames, muitos deles violentos e focados no uso de armas de fogo virtuais, ignorar a tragédia, a maior dessa natureza na história dos EUA, seria uma enorme demonstração de falta de empatia e sensibilidade.

Foi o caso da EA, que apesar de ser exemplo de diversidade e inclusão para o público LGBT na indústria de jogos, deu início às conferências na tarde do próprio domingo sem fazer qualquer menção ao atentado. Os apresentadores e executivos da Bethesda, que ganhou os holofotes algumas horas mais tarde, também não tocaram no assunto, mas apareceram usando fitas com as cores do arco-íris LGBT, um sutil sinal de consciência e apoio aos amigos e familiares das vítimas. O gesto foi replicado em suas redes sociais, nas quais ela sobrepôs seu logotipo com as cores da bandeira gay. Posteriormente, a Microsoft, a Sony e outras companhias tomaram a mesma atitude em suas redes sociais.

Em sua apresentação oficial para o YouTube, o jornalista Geoff Keighley foi mais enfático em seu posicionamento, e tomou a liberdade de abordar o assunto com bastante sensibilidade.

“Ficaria desconfortável em começar sem mencionar o terrível massacre em Orlando”, disse, no início de sua transmissão. “Todos ficamos chocados com esses atos insensíveis de violência, e pensamos nos afetados. Fui para a cama ontem pensando na apresentação de hoje, e achei que seria insensível passar o dia mostrando jogos que, vamos ser sinceros, são violentos. Mas me dei conta do poder da plataforma que temos e a diversidade do conteúdo que tivemos. No ano passado, essa transmissão foi a maior do ano no YouTube, e isso importa. Milhões de pessoas se unem em torno de uma paixão por jogos. Eu estive em todas as 22 E3s, e fico empolgado com o evento porque o jogo é a forma mais poderosa de entretenimento. Em seu melhor, os jogos nos deixam escapar e reinventar o que somos, independente de onde estamos e das nossas circunstâncias. Me apaixonei por jogos na infância, e eles me mantiveram afastado de muita coisa ruim. Nunca olhei para trás. Espero que hoje passemos tempo pensando em como poder usar o poder dos games para um bem maior, e usar o amor que dedicamos a este meio para fazer do mundo um lugar melhor e mais seguro.”

Phil Spencer, chefe da divisão Xbox, e Aisha Tyler, apresentadora da Ubisoft, tomaram alguns poucos segundos para lamentar pelo ocorrido (a frase “nossos corações estão com vocês” aparecem em ambos os discursos), para logo então darem continuidade ao espetáculo.

Durante todas as suas transmissões ao vivo, funcionários da conservadora Nintendo usaram fitas coloridas na altura do peito. Reggie Fils-Aime, presidente da companhia nos EUA, deu início ao evento pedindo um minuto de silêncio a “dois trágicos eventos em Orlando”, mencionando diretamente apenas o assassinato de Christina Grimmie, participante do The Voice, que foi assassinada dois dias antes do massacre na boate Pulse, também em Orlando. A cantora visitaria o estande da companhia na E3.

Nintendo E3 2016

Quase todos os funcionários da Nintendo que apareceram em sua transmissão usaram a fita colorida

De todas as companhias, a Sony foi a única a mencionar em seu discurso a comunidade LGBT. Antes de começar sua conferência, Shawn Layden, executivo da Sony, disse: “Um evento horrível como esse, provocado por um lunático, revela a necessidade de termos amor, tolerância e respeito às pessoas de todos os tipos. Em nome da comunidade PlayStation, nossos pensamentos estão com as vítimas, famílias e comunidade de Orlando. Estamos ao lado deles, e esperamos que nesta semana de celebrações dos games, a diversidade da nossa comunidade possa dar conforto e alento. A comunidade PlayStation está ao lado dos nossos amigos, fãs, e da comunidade LGBT.”

O posicionamento destas companhias em um evento da magnitude da E3, com suas conferências acompanhadas online por milhões de pessoas no mundo todo, e suas mensagens de paz e igualdade, não é apenas um ato admirável, mas necessário, considerando a intolerância e o machismo que existe dentro do próprio meio de games — o mesmo tipo de preconceito que levou Omar Saddiqui Mateen a abrir fogo contra dezenas de homossexuais na Pulse.

Mas quando as cortinas se abrem, o excesso de violência e a representação de guerras, quase sempre relacionadas a heróis e vilões hipermasculinizados, não produzem um efeito inverso? Quando Kratos, representação máxima da fantasia de poder masculina nos videogames, ensina seu filho a não pedir desculpas ao cometer um erro, e sim apenas “ser melhor”; quando o incentiva a abdicar de seus sentimentos ao não ser capaz de degolar um animal vivo, não estamos exatamente desconstruindo valores patriarcais — ao menos, julgando por esses únicos momentos de God of War apresentados na conferência.

Ou quando Eiji Aonuma, produtor de The Legend of Zelda: Breath of the Wild, faz rodeios ao tentar responder por que Link não poderia ser uma garota.

A tentativa das gigantes dos videogames em mostrar representatividade e ampliar vozes tem sido cada vez mais evidente, como é visto no vídeo de introdução do Project Scorpio, da Microsoft, que conta com a participação de mulheres. Mas é preciso que os jogos também reflitam essas mudanças para que, como aspirado por Geoff Keighley, em seu discurso, a nossa indústria possa contribuir na transformação da sociedade.

 

  • Lucas Vinicius

    Sobre o Eiji eu entendo agora sobre caçar para sobreviver e ensinar seu filho que a vida não é facil e vc tem que ser melhor para sobreviver é errado num mundo selvagem e hostil? Putz ai ja axo bobo a menção no texto.

    • riquesampaio

      É um tropo sobre o rito de passagem do homem, bem calcado no machismo — de que o homem precisa abdicar de seus sentimentos para se tornar sério, forte, viril. É basicamente o Kratos (que é o macho tradicional em carne e osso), moldando uma criança a ser como ele.

      • Power Otaku-Kun

        Mas o Kratos é baseado numa sociedade espartana que naquela época tinha uma forte cultura da guerra e caça. Não acho que a cena dele ensinando o garoto a sobreviver é fora de contexto.

        • Lucas Vinicius

          Exato o cara foi calcado na cultura espartana que era uma das menos machistas daquela época e tanto que os personagens que Kratos mais amava e respeitava eram mulheres como sua mulher,filha,Athena e Pandora.As pessoas querem fingir que uma cultura antiga nunca existiu e não podemos fazer nada baseada nela é porque atualmente é diferente.

        • Kle Berson

          sim, mas ao mesmo tempo é estranho o quanto isso só pega um pedaço da cultura, já que estão vendendo a coisa toda do Kratos ser o cara viril, e masculo e tbm colocar ele tendo relações com outros homens? percebe o quanto é ruim pegar apenas um pedaço da cultura e apresentar como verdade, unica e absoluta?

          • Power Otaku-Kun

            Mas está dentro do contexto da história jogo. Não é gratuito. Não está errado o jogo ter essa cena do garoto aprendendo a caçar. Não é errado também você não gostar, mas tem que concordar que há sim um contexto.

          • Kle Berson

            entendo sim, mas acho que cabe a nós se questionar se esse dialogo realmente se faz necessario ou não, pq querendo ou não vc tbm tem que concordar que essa imagem do homem viril e ultra masculo, mesmo que só em um videogame faz as pessoas irem atras desse modelo, e isso acaba gerando mais gente com esse ideal de homem na cabeça.

          • então o certo é descartar qualquer retratação da história da humanidade em prol de um pensamento sobre “o impacto social daquilo no nosso mundo” sem realmente levar em conta contexto, costumes e historiedade? Esse pensamento de que “isso reforça”, porra, tudo reforça tudo, mas não é uma questão de se privar de qualquer coisa que vá contra certos valores, mas de deixar que as pessoas tenham capacidade de discernir a partir das coisas expostas. O lado oposto é achar que as pessoas não têm capacidade de escolher por si só o que serve ou não pra eles levarem pra si e por isso deve acontecer todas essas mudanças estruturais (e você sabe o que é isso). Não é porque o Gaspar Noé botou uma cena de um cara esmagando a cabeça do outro com um extintor que isso aumentou a violência no mundo (nem a cena do estupro). Os caras acham que tudo é sobre quebrar estereótipos e consertar a sociedade e querem até que o personagem que literalmente ficou famoso porque abria crânios de bicho com a mão não aja desse jeito quando adota uma postura paterna? Ninguém quer que os seus conceitos entrem em choque com algo, ninguém se permite ser provocado, ninguém ouvir que está errado. Até a história e a cultura da humanidade retratada em ficção agora tem que ser problematizada e ignorada. As pessoas não querem mais entender que cultura é esse grande mix de coisas que você pode gostar de umas e não gostar de outras. Agora o que não se gosta deve ser adaptado pra caber nos seus valores mesmo que você não vá consumir aquilo. É só a busca por um prazer ao saber que aquilo se adequou ao que você considera certo (ou quer acreditar que considera). Tem sempre um mesmo discurso copiado e colado sobre os mesmo assuntos com os mesmo argumentos e eu me pergunto se realmente ainda é sobre os assuntos falados na verdade ou é só sobre as pessoas quererem alimentar o próprio ego ao dizer que o lado do outro é o errado. E isso nem é preciso falar porque você não é burro. Esses lances não são sobre moldar um “mundo melhor” por meio de videogame, mas sobre querer que TUDO que existe seja encaixado e padronizado pra caber na Grande Caixinha dos Pensamentos Corretos. Videogames são arte, não é? então a arte agora tem que ser limitada para enviar sempre as mensagens que sejam agradáveis para grupo x ou y? ou deve existir para carregar o que ela pretender carregar e quem desejar tirar algo dela pra si que tire? agora o artista não pode mais fazer algo pra si. Todo artista agora tem que querer enviar uma mensagem aceitável? vamo todo mundo viver apenas com o superego dessa sociedade que vocês querem enquanto se ignora o resto do que é ser humano, né? a liberdade de quem cria agora deve ser sempre limitada para tentar caber dentro do que é “”””””socialmente correto”””””. ah bicho, sei lá que mundo é esse que vocês querem viver, mas é lamentável.

      • Renascido Coulson, DC Te Amo

        agora vamo pegar o ambiente em que se passa a história e uma MÁGICA acontece com essa sua interpretação rasa

    • Kle Berson

      não acho bobo, pq isso vende aquele esteriotipo de machão e de que homens teres sentimentos delicados é algo ruim, a formula de GOW funcionou no passado? funcionou, porém agora essa mesma formula do homem machão e sem sentimentos já não funciona e se torna um tanto quanto ruim, se analisarmos o todo.

      • Lucas Vinicius

        O cara foi calcado na cultura espartana que era uma das menos machistas daquela época e tanto que os personagens que Kratos mais amava e respeitava eram mulheres como sua mulher,filha,Athena e Pandora.As pessoas querem fingir que uma cultura antiga nunca existiu e não podemos fazer nada baseada nela é porque atualmente é diferente.

        • Kle Berson

          Ok, porém é estranho colocar apenas um ponto dessa cultura e ignorar outros em prol da moral e os bons costumes, é facil colocar nesse ponto o Kratos como um cara viril e masculo, porém aposto e ganho que se colocassem o kratos, com outro homem,(coisa extremamente comum nas fileiras militares espartanas), o quanto haveria de homem chorando falando que isso é imposição de ditadura gay e o escambau

          • Lucas Vinicius

            Mas se ignorar isso é ignorar toda uma construção de personagens por mais de 4 games e desconsiderar a historia da humanidade e Mitologias daquela época.Acho muito bobo ignorar que aquela época era uma merda e mostrar algo que não é coerente só poque nossos costumes de hoje em dia são diferente. E se fosse outro personagem teriamos que ver como ele é e o que ele faz se as pessoas reclariam se fosse incoerente com a época ou aquela cultura teriam mesmo;

          • Kle Berson

            mas ignorar alguma coisa só pq lhe convém e mostrar outras, apenas pra vender é extremamente ruim tbm, entendo o seu ponto de vista, mas por favor tente entender que essa formula do kratos ja nao funciona mais há alguns anos

          • Lucas Vinicius

            Talvez para você não funciona. Eles ignoraram porque o Kratos não era assim e sim eles fazem para vender ELES SÃO UMA EMPRESA!!!! E mesmo assim eles podem mostrar o que acharem melhor é uma arte baseada em uma mitologia e sociedade que existiram eles tem que fazer as pesquisas e adaptarem para o que acharem melhor e também PARA O QUE VENDE!

          • Kle Berson

            Então sim concordo, eles são uma empresa tem que vender, porém pra quem ele vende é essa a pergunta maior saca.
            Isso não só em GOW e sim em qualquer outro jogo ou midia, infelizmente o nosso mercado ainda é voltada pro homem heterossexual branco, é esse tipo de coisa que aos poucos tem que haver uma mudança.

          • Lucas Vinicius

            Sim ja viu a nova IP Bound da santa monica talvez seja o que eles estejam tentando mas as pessoas ignoram o fato que é da mesma empresa com 2 jogos com proposta para diferentes publicos e preferem que eles tenham de desconstruir uma franquia estabelecida nos mercados.Se quer diversidade então tem que ter para todos até para quem gosta de mitologia e de matar monstros.

          • Kle Berson

            sim concordo com vc, eu sou mais da ideia de que já que tem mulheres de biquini pra agrader os homens então tem que ter caras só de cueca pra agradar as mulheres.

          • rodrigo

            pois, fica neste discurso cruzado onde sensibilizam por um acontecido, mas em seus produtos poucos se vê ações diretas, um ponto que tocou é que é um parto para uma produtora colocar discussões de desmitificar os gêneros e seus papeis, por vezes a gente encontra muita pessoas torcendo o nariz quando da sexualidade de seus personagens ou o que e em que grupo esta inserido, isso não invalida que há uma necessidade de se discutir sobre, as pessoas acham que é “Aihm tão forçando” quando do contrario é “estamos abrangendo” do ponto de vista de mercado.

          • riquesampaio

            Gente, é um espartano em terras nórdicas. Eles pararam de tentar há tempos em representar qualquer mitologia ou história real. Se é que um dia tentaram.

          • Lucas Vinicius

            Não precisam ser real precisam ser coerentes com o personagens,backgrounds e ambientes que criaram

      • rodrigo

        parece que falta algo humano, me lembra aqueles textos gregos onde homens são viris,sua educação é dada pelo Estado, treinado para ser erudito e mortal, mas suas mulheres o esperam em casa com comida e vinho cuidando de seus filhos, entendo que cada época tem suas características, mas hoje é necessário você ter a licença poética ( como se trolls alguma vez habitou a terra) para mostrar que o personagem por mais másculo que seja, ele teve ter dentro de si uma sensibilidade, tal qual as sensações de perda um jogo tenta colocar para que a sensibilidade do jogador seja tocada..

  • Juno de Lucca

    Também não falaram dos 50 mortos num massacre na Síria UM DIA ANTES, não vi nenhum post da Overloadr reclamando do posicionamento de alguém…
    Isso pra mim ou é sensacionalismo ou oportunismo…

    • Kle Berson

      Bom vamos lá, uma tragédia não anula a outra.
      além disso uma tragédia num país como os estados unidos infelizmente é mais gritante no mundo todo, além do mais essa tragédeia infelizmente abriu espaço para dois dialogos que precisavam muito serem feitos nos EUA.
      1- sobre o porte de armas por civis.
      2- sobre como o nosso mundo ainda é intolerante com a comunidade lgbt como um todo, não estamos aqui disputando qual tragédia foi pior, estamos apenas lutando pra que todos juntos possamos fazer algo, e essa mudança tem que vir de todos os lados seja com tv cinema e joguinhos inclusive.

    • riquesampaio

      Causas e fatos coexistem, e não é pq abordamos uma que temos que abordar todas.
      E só foi abordada pq os eventos tiveram relações indiretas:
      – aconteceram num mesmo momento
      – a celebração de videogames em um momento de luto é algo bastante esquisito
      – videogame está inserido na cultura e sociedade e tal fato não pode ser ignorado
      – a cultura de videogame lida diariamente com o mesmo machismo que levou o assassino a matar 50 pessoas na boate
      etc

      • Renascido Coulson, DC Te Amo

        Se você acha que o machismo que leva a alguma decisão criativa na arte (isso usando a interpretação comum de vocês) e o machismo que efetivamente mata são os mesmos então puta merda seu cérebro já virou pudim infelizmente.

        • Matheus Leston

          E achar que existem dois ou mais “machismos”, separáveis, nada mais é do que uma maneira de reconhecer que o que aconteceu foi realmente terrível e fruto do machismo, mas não querer se responsabilizar em nada por suas próprias atitudes machistas.

          • Renascido Coulson, DC Te Amo

            Não é que exista um ou mais machismos, é usar a palavra como um agarrador de atitudes, um apanhador de ações sem distinção, que não suportam modulações, é uma armadilha de pensamento que vocês próprios criaram e agora se encontram presos num emaranhado semântico e saem cortando fios esperando achar uma saída. Tudo isso é só mais um exemplo da lógica indutiva que permeia a intelectualidade de vocês: 1. Um criador por personagem de pouca roupa em seu jogo é machista >> 2. Eu enquanto consumidor gosto de tal decisão criativa OU espero contexto para julgá-la apropriadamente, logo sou machista >> 3. Acontece um evento externo que literalmente assassina diversos homossexuais e trans >> 4. O ódio direcionado a essas pessoas é fruto do machismo >> 5. Logo eu sou machista e portanto também responsável pelos assassinatos.

            É de uma desonestidade intelectual enorme. Primeiro porque não há análise de fenômeno no primeiro caso se não a categorização instantânea de qualquer representação. Segundo pois a incapacidade de reconhecer a singularidade das ações humanas é assustadora; sim, somos influenciados pelo ambiente, mas a influência percorre todas as direções, desde repelir o que vejo até a concordância; ora, você não acredita que é meramente um bonequinho sendo controlado por uma convergência histórico-cultural, acha? Se assim o acha então sua própria atitude está nos conformes “patriarcais” vigentes, e obtém parcela do assassinato que ocorreu, e é impossível de ocorrer desconstrução pois o que apenas existe é controle etéreo absoluto. Vê como é uma visão conflitante por si? Se você admite que NÃO há absolutismo então você admite ramificações e emancipações que iriam de encontro com essa lógica. É uma tentativa de equalizar patologia com convenções cotidiana que PODEM VIR A SER problemáticas que é realmente perigosa. Vocês dão significado amplo e hegemônico para atitudes essencialmente diferentes (a fala e a ação; a escolha artística e o atentado terrorista) e depois se surpreendem que alguém vai contra isso, chegando até a achar absurdo a não apologia ao seu pensamento e, por isso, já considerado por vocês como algo machista e, por isso, responsável por tudo de ruim que acontece no mundo. É um ciclo.

            Parece que existe uma tendência hoje de que tudo o que acontece está necessariamente dentro de uma sistematização que posso apontar com clareza. A maioria dos ladrões são pobres, então todos os pobres são ladrões, como posso conceber pobres que escolheram não ser ladrões? É um modelo facílimo de quebrar porque é só considerar o “e se” em cada situação.

            Por fim, é também uma questão de expressividade. Essa ligação de duas ideias, dois fenômenos distantes, que busca uma moralização universal plástica e oca.

          • Matheus Leston

            Uau. Este seu argumento, além de extremamente pernóstico e pseudo-intelectual, é tão frágil, mas tão frágil, que é possível desconstruí-lo com uma só afirmação.
            Você baseou toda sua argumentação em uma ideia de casualidade que nós simplesmente não estamos afirmando. Logo no primeiro parágrafo você diz que a conclusão é “logo eu sou machista e portanto também responsável pelos assassinatos”. Simplesmente não é isso que estamos dizendo, de forma alguma.
            Afirmar que duas coisas surgem a partir de uma raiz comum não implica em uma relação de causa e consequência entre essas duas coisas. Questão básica de lógica: se A pode levar a B e A também pode levar a C, nada garante que B leva a C e vice-versa. E me parece que isso anula toda sua argumentação.
            O que estamos dizendo é exatamente o contrário: estas duas coisas são extremamente diversas, de fato. De forma alguma estou comparando a desgraça destas mortes ao aparecimento de peitos gigantescos em um jogo (ou qualquer coisa do gênero). Mas é fundamental entender que ambas são frutos de uma mesma ideia para que seja possível encarar esta questão de frente.
            Imagino que seja clara a relação entre estes dois acontecimentos. Peitos gigantescos de mulheres semi-nuas em um jogo são frutos da crença de que o público dos videogames é masculino, de uma imagem objetificada da mulher e por aí vai. Ou seja, machismo. O assassinato em massa é fruto da crença que qualquer tipo de sexualidade além do hétero/mono/cis é inferior, bobagem, putaria, pecado e por aí vai. Ou seja, machismo.
            Entender que tanto o assassinato quanto os peitos no jogo têm a mesma origem é extremamente importante para que se possa encarar o problema de frente. Insisto: os peitos não levam ao assassinato, mas fortalecem ideias machistas, as mesmas que também podem levar ao assassinato.
            Por isso é tão perigoso relativizar estes dois casos como “dois machismos”, dizer que um é menos pior do que o outro. E é simples: embora as ações sejam extremamente diferentes, as ideias machistas atreladas aos dois casos não são.
            Ou seja, se você entende que os dois casos são frutos de uma mesma construção social extremamente perversa, é importante não relativizar casos de machismo e ir contra ambos. Se você não entende isso, infelizmente não há nada que eu posso fazer.
            Enfim. O centro argumentativo do seu texto é extremamente desonesto. Buscou formalizar o que nós estávamos dizendo em um discurso pretensamente elegante e, no processo, construiu uma falácia gigantesca, invertendo o que estávamos falando, para construir seu argumento.

      • Guilherme Kaneko

        Henrique, eu não concordo muito com os seus argumentos. Acho que isso se deve mas por vc também se sentir agredido, por fazer parte da Comunidade LGBT. Não vejo problema na comunidade gamer continuar a E3, da mesma forma que seria se não houvesse atentado. Por exemplo me soa muito mais estranho ter a Parada LGBT no Rio de Janeiro, um dia depois dos atentados, mesmo havendo uma pequena homenagem, ao invés de um protesto para chamar a atenção ao machismo ou homofobia.
        Tentar relacionar o machismo com a chacina, é o mesmo que tentar justificar o ataque em Realengo aos games. Podem ter influenciado, no caso de Orlando sem a menor dúvida era homofóbico e machista. Atribuir o ataque porque ele era machista é simplificar demais o caso. Não se pode esquecer o fundamentalismo Islâmico, o mesmo que mata milhares de pessoas todo ano, principalmente no Oriente Médio.

    • Matheus Leston

      é verdade. é oportunismo. a overloadr (adorei) só quer nos transmitir a doutrina gay.

      • Juno de Lucca

        Hã?

  • Caio_RB

    Discordo da parte do Aonuma. Apesar dele ter se enrolado todo pra dizer porque não faria de Link uma garota – que eu concordo que é bullshit a enrolação quanto a isso -, eu não acho que ele esteja errado em deixar Link como um homem ao menos na visão de desenvolvedor dele e dos desenvolvedores, apesar de que eu não seria nada contra se um dia colocarem uma opção de mulher ou mesmo uma reencarnação completa de Link como uma garota. –

  • AnaniasJr

    Engraçado como às vezes não percebemos como algo está fazendo falta, até que o que faltava seja preenchido. A conferência da Ubisoft deste ano teve um dos melhores momentos da feira para mim: a entrevista da Aisha Tyler com o LeVar Burton. Por alguns minutos foram dois negros conversando num palco da E3. E nenhum deles estava promovendo um jogo de esportes. Eles estavam conversando sobre as possibilidades de um jogo em VR sobre uma série de ficção científica. O “jogo” no caso parecia um lixo? Irrelevante. Eu nunca achei que não estava sendo representado nesse meio, afinal eu gosto de jogos, é por isso que isso que acompanho a E3, mas ver os dois ali foi algo bem legal e me fez pensar bastante sobre a falta de representação de uma forma geral. Parece algo tão simples, só que isso realmente faz diferença.

    • Kle Berson

      é engraçado que durante muito tempo eu pensava que representatividade era mimimi, afinal eu me via em todo lugar, e quando vi dois negros numa entrevista a alguns anos que eu senti,”pera tá faltando algo”, e foi meio que ai que eu percebi que representatividade é um puta bagulho importante, foi ai que eu pensei pera é desse jeito que a galera com a cor diferente da minha se sente o tempo todo.

    • Márvio

      E ano passado ela estava no palco com a Angela Bassett

  • Concordo com quase todo o texto, menos com a parte do Kratos.

    Claro que é um trope muito manjado, mas acho que esse caso teve um twistzinho. Não acho que é uma questão de “abdicar de seus sentimentos para se
    tornar sério, forte, viril”. Não nessa cena que você indicou, pelo
    menos. O Kratos tá ensinando o filho a sobreviver. Ele não faz nenhuma
    menção a abrir mão dos sentimentos, ele só ajuda o menino a matar o
    animal que eles precisam matar pra se alimentar.

    • Marcelo Abner

      Exato. É algo muito mais primal do que as “leis e costumes que temos na nossa sociedade”. Ali a cena é sobre sobrevivência.

  • Jonas S. Marques

    Particularmente acho complicado esse debate por um simples motivo.
    Qualquer que fosse o discurso das publicadoras ou quaisquer que fossem os votos de inclusão promovidos por seus comunicadores não seriam sustentados por um mercado que vai de encontro a todo e qualquer jogo inclusivo.
    Saíram jogos de tiro aos montes na E3. Não saiu nenhum que se quer questionasse isso.
    Jogos frequentemente nos incentivam a matar e derrotar inimigos que pensam diferente do que pensamos e não raramente criam abismos lógicos para que simplesmente os derrotemos sem que se quer haja um questionamento sobre isso.
    E veja bem, não falo de dar ouvidos a o que alguém que entra em uma boate e dispara contra 50 pessoas tem a dizer, tão pouco de fazer jogos exclusivamente gays ou lgbts ou que sejam inclusivos a deficientes e negros.
    Eu falo de uma dissonância lógica entre um mercado que ainda acredita que jogos são objetivos seguidos por recompensas a se atingirem objetivos, falo de um mercado que busca cada vez mais tornar banal, acessível e quase poético o peso de uma arma e o poder de um tiro a seus jogadores, falo de jogos que por vezes empurram seus jogadores em direção a violência.
    Fosse o discurso que fosse e dado pela empresa que fosse na E3 ele não seria o suficiente. E acho que tão logo não o será.
    Por que as empresas ainda são de maioria hétero, branca, cis, classe média/alta, secundaristas, pessoas sem deficiências e que se encaixam totalmente nos padrões do ser humano médio.
    Enfim. Parabéns ao Rique pelo excelente texto e que o futuro dos joguinhos nos reserve uma E3 mais inclusiva para daqui uns 10 anos, quem sabe;

  • diego borin

    mas Rique, isso do Kratos não quer dizer que o jogo aprova (e muito menos que o jogador deveria aprovar) do comportamento macho-alfa dele. O problema tá muito mais em jogos imbecis contarem histórias imbecis do que em termos um avatar que é um gorila irracional. É claro que o Kratos, protagonista fálico que é, ensinaria o filho os gender roles clássicos da masculinidade e tal – se não o fizesse, seria incongruente com o próprio personagem. Mas pelo trailer, fica no ar se a criança vai ir no mesmo caminho de desgraça e matança do pai, ou se vão usar desse contraste de personalidades pra dizer algo mais e desenvolver ambos os personagens de maneira mais interessante. Conhecendo God of War, conhecendo videogames e conhecendo o público pra quem os videogames blockbusters são feitos, acho que já podemos assumir qual deverá ser a resposta dessas duas, né.

    Then again, quando esse tipo de discussão vira a relativização de casos específicos como desculpa pra não enfrentar de frente uma análise de um problema que vai muito além do um caso, é pq a discussão nasceu morta mesmo. “Ah, mas ele tava ensinando a criança a sobreviver, é necessário!” é a mesma coisa que “Ah, mas Witcher 3 é baseado na cultura eslava!”, que “Ah, mas a Mai Shiranui é pra ser sensual mesmo!”, ah, mas, ah, mas, ah, mas. Me vejo cada vez mais cético quanto ao supostamente inovador, glorioso ~futuro dos games~ toda vez que sou lembrado de quão raso é o nível de pensamento do público gueimer em geral. É muito adolescente (e não estou falando de idade aqui), é muita galera que vê uma placa num estilo art deco e fala que “parece mó bioshock”, saca? É muita galera que vai me chamar de pedante. E ei, talvez eu esteja sendo babaca. Mas CANSA, essa merda. Essa falta de rigor que faz com que videogames continuem sendo brinquedos. Então vamos continuar tendo power fantasies do Kratos apertando bolinha muito rápido pra foder a Afrodite, ou algo que o valha, é isso que os muleque de quinze ano curte. Eu nem sei como vocês do overloadr conseguem trabalhar nesse meio sem ter uma úlcera ou pelo menos uma azia. Mas enfim. Continuem sendo chatos, por favor, inclusive um pouco mais, se der.

    • Kle Berson

      concordo com o que vc disse, Undertale é um dos jogos que consideram um dos melhores jogos recentes justamente, por fazer um pararelo com isso de “vc está matando esses seres, vc deveria refletir sobre isso”, eu adoro quando os jogos não se focam nessa coisa burra de só matar e matar, é necessario e lindo quando os jogos abrem espaçoi pra esse tipo de dialogo, aonde o personagem é visto, não como um ser superior, mas sim alguem que deve repensar no que fez e se perguntar se o que fez foi certo ou não.

    • riquesampaio

      Sim, levantar qualquer questão sobre jogos populares, que são tratados normalmente como puro entretenimento — por mais que inevitavelmente estejam representando ou transmitindo algo a quem o consome — é pedir para mexer num vespeiro. Aconteceu a mesma coisa quando, uma vez, ousei interpretar a sociedade e os valores representados em Pokémon haha.
      Usei o trecho de God of War mais como um exemplo de que precisamos sim questionar aquilo que é celebrado e ovacionado durante essa semana de E3, mas não tiro nenhuma conclusão e nem faço acusações né? Tanto que eu digo que é uma interpretação minha baseada no que foi apresentada. Eu realmente quero ver como a relação entre os personagens se desenvolve.

      Enfim… cultura é moldada pela mídia e a mídia é moldada pela cultura. Nosso papel como jornalista é entender essa relação e despertar diálogos.

      • rodrigo

        concordo com seu texto, se entendi que os discursos poucas vezes acompanham ações, e que a sensibilidade sobre o fato ocorrido, e suas motivações, foram logo enterradas por produtos que não conversam com o contexto.

    • Eu só apontei que achei a cena do Kratos como um exemplo equivocado. Eu não ousaria dizer que o Kratos tem que ser o macho babacão só porque ele era espartano — até porque ele é um personagem e os roteiristas fazem o que quiser com ele. Comparar quem fala desse caso com quem fala “mas a Mai Shiranui é pra ser sensual mesmo” é exagero da sua parte, acho.

  • Magdiel Lima

    Kratos não incentivou o filho a “SE LIVRAR DE SEUS SENTIMENTOS”, essa interpretação foi um tanto quanto equívoca e oportunista, tanto que o mesmo em toda sua saga é movido pelos sentimentos, de fúria, vingança, amor, saudade. É complicado ignorar totalmente o contexto do game e esperar que a história (fictícia diga-se de passagem) de um espartano que ascende ao Olimpo dilacerando divindades e criaturas mitológicas seja politicamente correta ou como dito “desconstrua valores patriarcais”. Games são entretenimento, aceitar a premissa de que eles possam “transformar a sociedade” é concordar com o velho “videogames geram violência”.
    Inclusive a criticada EA (em parceria com Square) tomou uma bela iniciativa, divulgada durante a E3. O programa “Play to Give”, que conecta pequenos desafios in-game a doações para instituições de caridade como Code.org que visa expandir o acesso a computação a mulheres e estudantes negros. Code2040, uma organização sem fins lucrativos que atua nos âmbitos educacionais, profissionais e empresariais focados em tecnologia, seu foco principal são negros e latinos. E por último HerforShe uma instituição que convida pessoas do mundo inteiro para criar uma força tarefa em prol da igualdade de gênero. Atuando em vários âmbitos como, educação, saúde, política, trabalho e etc.

    Sim a insensível EA doará 1 milhão de dólares a essas instituições. E a melhor parte é que nós players de Battlefield, jogo sanguinário que prega a violência e massacres homofóbicos (diferente do Islã, que alguns políticos propuseram o ensino em escolas brasileiras, que prega paz e tolerância ao próximo) podemos contribuir com essa iniciativa, fazendo o que mais gostamos, JOGANDO!

    • rodrigo

      mas existe dentro de jogos de tiros uma pornografia armamentista, esses jogos chegam a jovens em processo de formação e que começam a se sentir “poderosos” “capazes” quando empunham armas, mesmo que em ambiente virtual, não estou aqui validando jogos matam pessoas longe disso, pois a cultura armamentista é diferente da que a gente tem acesso aqui, lá a discussão chega as bases da Constituição e da sociedade americana, e esses massacres estão a tempos discutindo esse acesso facilitado a armas e a esta cultura envolta do problema, e jogos eles poucas discutem este reflexo da sociedade, estes pesos reais em seus jogos…

    • Bruno Leao

      Cara… espero que você esteja recebendo dinheiro da EA para ter ficado tão na defensiva por ela.
      E se você tivesse para um segundo para analisar o texto ao invés de entrar em ragemode poderia ter percebido que em nenhum momento ele criticou ou disse que a EA foi insensível, pelo contrário elegiou e disse que a empresa é um exemplo ótimo, simplesmente apontou o fato dela não ter feito menção alguma.

    • Cara, é EVIDENTE que entretenimento pode moldar a sociedade.
      “Games são entretenimento, aceitar a premissa de que eles possam
      “transformar a sociedade” é concordar com o velho “videogames geram
      violência”.”
      A diferença é a maneira que o entretenimento faz essa transformação. O entretenimento tem o dever de criar discussões e falar de tópicos polêmicos. Ele te faz pensar, nunca te faz pegar em uma arma e sair atirando por aí

  • caralho, vocês tão completamente perdidos na saga do bom mocismo mental, o tesão em video game vai até embora depois de cada pronunciamento que eu leio aqui, conscientização fajuta e oportunista

    • Bruno Leao

      O texto está longe de ser uma conscientização fajuta e oportunista, simplesmente levantou questionamentos que o autor acha pertinente, se ele está certo ou não cabe a você analisar e ponderar.
      Se tudo o que você procura é tesão em vídeo games talvez esse não seja o site para você, já pensou nisso? Tem centenas de sites por ai, nem todo conteúdo é para todo mundo, se não gosta desse tipo de questionamento tudo bem, ache um site que atenda seus interesses e, se um dia se interessar por esse tipo de conteúdo volte aqui e será bem recebido.

      • amigo refaz o caminho que você fez até chegar aqui pra ver se você acha seu pinto que derrubou pelo caminho

        • Matheus Leston

          não consegue responder, parte para a homofobia.

        • Bruno Leao

          hahaha obrigado por ter me feito dar risada hoje, o dia não estava muito agradável.

  • Matheus Leston

    jogos são produtos culturais que, ao mesmo tempo, alimentam e são alimentados por valores. e isso continua sendo verdade mesmo que este não seja o foco do jogo.

    na realidade isso não vale só para jogos, mas para qualquer coisa. qualquer coisa mesmo. você pode pegar uma cadeira e analisá-la e entender que os parafusos foram colocados de tal maneira porque a cadeira é construída por certa máquina e que se usa tal madeira porque ela é mais barata e é pintada para disfarçar ou sei lá o que. ou seja: uma cadeira foi feita para sentar, mas analisando o objeto é possível entender muito sobre os valores que estão impregnados nesse tipo de construção e de quem a construiu.

    e me parece que é isso que o rique está propondo aqui. muitos jogos foram feitos para jogar e se divertir e não há problema algum com isso. mas nada impede que seja possível analisar e entender os valores em que eles estão baseados, mesmo que não saibam, não tenham se dado conta e que não sejam o assunto do jogo. não se trata de forma alguma de apedrejar um desenvolvedor, ou um artista ou qualquer outra coisa, de forma alguma. se você quiser jogar e se divertir, não há nada de errado com isso. mas analisar um jogo, um quadro, um filme, um objeto ou qualquer outra coisa e entender as relações que isso traça com o mundo, previstas ou não pelo autor, também não tem nada de errado. essas duas visões não são excludentes e as duas são importantes.

    me parece que esse tipo de perspectiva sobre as coisas é sempre interessante, mas é ainda mais importante em momentos como esse. um tragédia como esse massacre faz com que a gente perceba que as coisas estão muito piores do que parecem e, por isso, talvez seja importante olhar para os lugares que não estamos acostumados olhar.

  • lps89br

    Eu queria muito deixar um textão aqui, mas lendo os comentários eu já imagino que não vai haver espaço pra debate. Deixa pra lá, Eu só queria que alguns comentários respeitassem mais a visão do Rique e do ponto de vista dele, especialmente se ligando ao fato de que ele não falou que Aonuma e Kratos deveriam ser proibidos ou coisas assim. É muito triste quando as pessoas tentam desqualificar o diálogo utilizando os famosos “ditadura gay” ou “Affs mais problematização com meus joguinhos”

    Problematização não é problema, criar um debate pra expandir a nossa própria visão não é problema. O problema é agir na total defensiva, acreditando que a opinião (não confunda com discurso de ódio) de uma pessoa é uma ofensa pessoal a você, esse que é o problema, o Rique não quer o fim de God of War, simples assim.

    Inclusão não significa substituição, a indústria está dando passos pequenos, mas está, vide o update de The Sims 4 que deixa você ser o que você quiser no jogo, vide Stardew Valley que deixa você casar com quem você quiser e ter a aparência que quiser no seu personagem, vide Undertale e LiS onde alguns dos pontos chaves são coisas como sentimentos, carinho e amor pelo próximo. NENHUMA DESSAS COISAS ameaça God of War, Gears of War, Battlefield, todas essas franquias vão continuar coexistindo em um mundo onde LiS e Undertale também fizeram bastante sucesso, embora não os deixam imunes a crítica. Representatividade é sim importante pra muita gente,

    Respeitem a opinião dos caras, se por algum motivo, eles te ofendem tanto assim e você não quer tentar dialogar, deixe de consumir o conteúdo e pronto. Utilizar discurso de “verdade absoluta” ou “É assim porque sempre foi assim” ou “Se X fez isso, tem que ser assim pra sempre” porque são coisas assim que destroem o diálogo. 🙁

    • Caio_RB

      Concordo com o texto mas não faz muito sentido “proibir” Aonuma porque ele é uma pessoa real..

      • lps89br

        Como não? Ostracismo ainda existe hoje em dia, hehe. Só ver gente como o Mel Gibson, que falou barbaridades e agora é sempre visto meio torto e tal.

        Eu sei que o meu exemplo do Aonuma foi meio “forçado” mas é que eu já estava também mentalmente exausto dessa parada toda, haha

  • Gustavo Sanjuán

    Olá, Rique. Primeiramente, gostaria de congratulá-lo pelo ótimo texto e por levantar tal questão muito importante, tanto para o mundo dos joguinhos quanto para a sociedade. Me envolvi com alguns debates em relação ao texto no Twitter e, devido a sua repercussão, gostaria de trazer a discussão para cá.

    Não é uma questão de querer censurar o novo God of War por ele perpetuar preceitos machistas e patriarcais. Antes de tudo, devemos nos lembrar que nada existe no vácuo, tudo vive em um contexto – seja ele cultural, social, etc. Acredito que jogos, assim como quase boa parte do que nos rodeia, é cultura. E como cultura, ele assume uma espécie de contrato social para com a sociedade. É uma relação mútua, a sociedade molda a cultura e a cultura molda a sociedade.

    Eu, assim como deve o Rique, acredito que as pessoas são livres para fazer, dizer e serem o que quiserem. Quando se tem um jogo, como citado no texto, God of War, que prega valores prejudiciais ao indivíduo e o coletivo, vejo que temos em mãos um problema. Vivemos em uma sociedade na qual uma grande parcela dela ainda está acorrentada em diversos níveis e palavras são insuficiente para expressar a tortura desta prisão psicológica e social que aflige inúmeros de nós. Esta prisão que não permite o indivíduo de falar x ou vestir y por medo de sofrer preconceito e discriminação. E God of War põe essa liberdade de ser em cheque ao reafirmar aquilo que lutamos contra para que possamos viver, ao meu julgamento, melhor. Afinal, que modo de vida melhor que conhecer a si mesmo e poder reafirmar isso ao mundo?

    Não digo que você está proibido de fazer um jogo que retrate a violência contra a mulher. Quando você a retratar, ou irá abordar o tema do modo que, acredito, deva ser abordado, discutindo-o com o jogador. Ou irá simplesmente ignorá-lo e tratá-lo como algo banal. Irei julgar o jogo independente do caminho tomado. Porém, minha crítica será mais severa com o que não abordar, pois acredito que o mesmo faz um deserviço à sociedade.

    Beijos e tchau.

  • Tevo Marinho

    Lógico que existe intolerância e machismo nos jogos assim como assassinato, violência e todo tipo de coisa que ninguém deve fazer pois são jogos.Ou deveriam todo os jogos serem educativos e contra a violência sem armas, jogos de diálogos para que tudo seja resolvido em paz.. Rs

  • TF

    É tão estranho ver uma comunidade que deveria ser mais “mente aberta” ser assim tão fechada a discussões ou novos posicionamentos. Jogamos tantos games diferentes que nos levam a mundos tão novos e “estranhos” que deveríamos ser a comunidade com a maior facilidade de receber o novo.

    Li o texto da reportagem e não achei que havia uma total desaprovação com relação ao novo God of War. Na minha *interpretação* (e frizo essa palavra), o Rique comentou que, em meio a tantas mensagens de apoio aos familiares das vítimas de uma chacina movida por ideais machistas e fanáticos, o que foi apresentado e celebrado na feira ainda possuía valores machistas. Ponto. Todos sabemos que God of War é uma ficção (e bem grande!) e que tudo ocorre dentro de um contexto, portanto não dá para interpretar o trailer olhando apenas de forma rasa os acontecimentos.

    Frizei a palavra interpretação pois isso é o ponto central dessa reportagem. Ela retrata a interpretação de uma pessoa (Rique) sobre um acontecimento, e a intenção foi levantar um diálogo/uma discussão (tanto que o título é uma pergunta 😉 ). Não é necessário concordar com o Rique ou assumir que a opinião dele é uma verdade absoluta, muito menos a nossa (até porque isso não existe, né?).

    Ainda assim, temos que concordar com o fato de que, embora os valores passados por Kratos sejam baseados em uma época antiga, eles são machistas SIM. Agora, God of War é um lixo que por isso deve ser atirado em um canto e taxado de machista e homofóbico? Com certeza NÃO. Ele é uma obra de ficção/de arte e como tal deve ser interpretada, os acontecimentos são bem contextualizados e tem o objetivo de apresentar uma história. Esses valores estão misturados à narrativa, mas não são o foco nem são apresentados como certos.

    Alguns também comentaram que moldar obras e games para evitar que a sociedade haja de uma ou outra forma é indesejável, pois cada um sabe o que deve fazer. Acho que se for apresentado a todo instante um conjunto de valores que incentive todos a vestir azul, eventualmente muita gente vai querer vestir azul, ou vai achar normal vestir azul e achar estranho quem usa vermelho. Dessa forma, porque continuar apresentando apenas os valores relacionados a azul? O mundo tem muitas cores, para que mostrar uma só? Vida é diversidade 😀

  • Menos Social Justice e mais Games por favor. Obrigado.

    • Kalel Mota

      Acho que se você assistir o vídeo sobre o que é o Overloadr na campanha deles no Patreon você perceberá que este não é um site que buscar falar de games apenas como forma de entretenimento, mas de games como um produto cultural, abordando os seus aspectos sociais. “É um site de games focados em pessoas”.

    • Platynews

      Mais Social Justice em mais Games, por favor.

  • Brayan Willian Ferreira Rodrig

    Realmente, hoje eu li todo o tipo de texto contra este texto e só agora parei pra ler ele com cuidado e posso afirmar que só discordo da parte do Kratos. Posso estar errado mas muito da minha interpretação foi a de que ele estava ensinando o garoto a matar por uma questão de sobrevivência, de que ele ia ter que fazer aquilo um dia sozinho pq onde eles estavam (Neve, neve e mais neve) não ia rolar plantar o próprio alimento: Se ele não pudesse enfrentar aquilo, como ele iria se alimentar quando estivesse sozinho? E sobre não pedir desculpas, eu acho até que ele não deu um mal conselho: Todo mundo odeia pessoas que só dão desculpas mas sempre continuam errando, as vezes pedir desculpas é inutil, você tem que agir para consertar o erro, não vi exagero nesse “ensinamento” em si…

    Mas esses são meus 5 centavos sobre o assunto, acho que a problematização é importante, existem muitos problemas na indústria do entretenimento, e eles não devem ser ignorados. That was all!

  • supremoanjo

    Primeiro, adoro rique e não hoje cada dia ele escreve melhor.
    Mudar a história de god of war que é leviana com um contexto histórico Medíocre, Que as pessoas so jogam para ver sangue, para algo politicamente Correto é impossível.
    Tirando garota dinamarquêsa e a série como escapar de um assinato e raro ver personagens gays no geral com profundidade. Não é so o público que tem que mudar também a industria, as pessoas vivem em 2016, com pensamentos cada dia mais pequenos é triste estamos voltando cada dia mais para trás .

    • Concordo. Mas como o objetivo de toda a indústria é vender e não mudar comportamento, acho difícil isso acontecer se não partir justamente do público. Enquanto jogos como Uncharted, God of War e Zelda ainda serem considerados como referência narrativa e venderem absurdos, a indústria não vai se mobilizar muito para mudar o cenário.

  • Henrique Jordão

    “Quando Kratos, representação máxima da fantasia de poder masculina nos videogames, ensina seu filho a não pedir desculpas ao cometer um erro, e sim apenas “ser melhor”; quando o incentiva a se livrar de seus sentimentos ao não ser capaz de degolar um animal vivo”

    Não seria mais fácil o Kratos ensinar seu filho ir no Walmart e comprar um belo bife ao invés de sair pra caçar e tentar buscar alimento pra sobreviver?..

    Ótimo texto Rique, mas essa parte não se sustenta.

    Abraço!

  • Kalel Mota

    Vejo muitos comentários revoltados, como se este site por ser sobre video games está se desvirtuando ao levantar questionamentos de cunho social. À estes, digo que estão enganados, estão consumindo um conteúdo que não conhecem. Recomendo que vejam o vídeo sobre o que é o Overloadr na campanha deles no Patreon, lá fica bem claro que este não é um site que buscar falar de games apenas como forma de entretenimento, mas de games como um produto cultural, abordando os seus aspectos sociais. “É um site de games focados em pessoas”.
    No mais, ótimo texto. Parabéns Rique.

  • Cássio Freitas

    Acho muito importante que os games reflitam o ponto de vista da sociedade gamer, que agrade aos jogadores sendo um God of War ou um The Sims sem barreiras de sexo para customização de personagens. Não tenho problemas se o jogo é politicamente correto ou extremamente reacionário desde que agrade ao jogador. Se a comunidade gamer for plural, os jogos também serão, caso os gamers demandem tal representatividade, demanda esta que os desenvolvedores identificam por meio dos resultados nas vendas de games. Não sejamos ingênuos, os desenvolvedores só fazem mudanças se elas estiverem atreladas a retornos financeiros, pois mudança é arriscada quanto à lucratividade que pode trazer. Essa é a lógica do mercado, e é assim que tem que ser. Acredito sim que a comunidade gamer é plural e que pode ser melhor representada nos games, mas para isso ela deve se fazer ser ouvida, simplesmente não comprando os games que vão contra seus ideais. Obrigado pelo espaço aberto ao diálogo.

  • Entendo a imporância da discussão, mas ao mesmo tempo me pergunto: os jogos têm de, necessariamente, passar uma ideia pedagógica positiva de iguadade de gênero ou outras discussões sensíveis? Bem, ao meu ver, sim e não. Vejamos.

    Considerando os jogos como arte, temos de conceber a arte como sendo livre, na acepção do termo. Desta feita, por mais comercial que um jogo possa ser, o artista, seja ele escritor, músico ou o que seja, deve exercer a sua liberdade para retratar um personagem frio, machista, feio, bonito, bobo, homem, mulher, negro ou branco. Ora, a arte não é feita para agradar a ninguém, nem mesmo o seu criador. Ela pode provocar amor ou repulsa, carinho ou ódio, tudo depende do olhar do artista sobre determinado aspecto. Sendo assim, criticar o posicionamento do Kratos, ao meu ver, é simplesmente não entender o personagem.

    Querer que God of War desconstrua o “patriarcado” ou coisa que o valha é, para dizer o mínimo, ingênuo, e negar totalmente o viés artístico que os videogames possam ter. E se aquele personagem patriarcal, violento e grosseiro for exatamente o que o artista quiser descrever? Ele deve se ater aos apelos do público por diversidade ou manter-se fiel à sua visão artística? Que benefício traria um link com aspecto feminino? Seria apenas mais um personagem jogado, improvisado ali para atender aos anseios de uma pseudo pluralidade, que, sabemos, ainda está muito aquém do ideal. A personagem principal de Horizon Zedo Dawn é mulher, de cabelo enrolado. Este esforço artístico passou em branco. A nova potagonista de Mass Efect tabém será uma mulher… também não conta?

    Por fim, acredito que os games devam refletir esta pluralidade de forma mais harmônica e natural possível. Não adianta querer que o Link se torne mulher do dia para a noite, ou que o Kratos subitamente sirva para desconstruir conceitos de patriarcado. Isto seria apenas contradição. É necessário que o apelo seja por novos jogos e novas abordagens que não contradigam a visão artística daqueles responsáveis por criá-los. Uma igualdade de gêneros real, onde há espaço para todos, e onde a arte seja respeitada, ainda que seja para incomodar o jogador com um personagem ou história que retrate aspectos negativos da nossa sociedade.

  • Felipe Della Corte

    Rique <3

    Eu comentei justamente isso da SONY: mencionar o verdadeiro alvo do ódio assim, na cara lavada. Porque o que existe de homofobia em todas as esferas da comunidade gamer é absurdo.

    Agora, só discordo de uma única parte do texto. Na minha visão, a lição do Kratos para seu filho é extremamente válida para a desconstrução – DON'T BE SORRY, BE BETTER.

    Não adianta só pedir desculpas por um comportamento homofóbico, machista, racista, misógino, etc. É preciso se tornar ativamente uma pessoa melhor. Não adianta se desculpar com o amigo gay por fazer piadinha de "viado", e depois repetir ela na ausência dele. NÃO PEÇA DESCULPAS, TORNE-SE UMA PESSOA MELHOR. Isso, pra mim, é um ensinamento fantástico.

    • Bruno Leao

      Por que você parece tanto o Teixeira nessa foto?

  • Pétrus Davi

    Texto começou bem, mas acabou mal, uma pena…

  • Obrigado Rique e Overloadr pela existência desse texto! Cai naquelas de que os comentários intolerantes sobre ele só prova como ele é necessário. Bom, vim aqui discutir o papel do Kratos porque eu fiquei com uma impressão diferente e achei que fosse legal dialogar (ao invés de vomitar agressividade).

    Eu lembro de ter uma mistura entre a mesma impressão do texto (“lá vem o macho alfa ensinar que se resolve tudo na porrada”) e a de que, no fundo, bem sutilmente, ele tá na verdade começando a desconstruir o Kratos de antigamente. A minha interpretação do “don’t be sorry, be better” foi do tipo “não dá pra pedir desculpa pra sempre, melhore”, que é o que muita gente acha que funciona (eu, inclusive, fazia muito uns anos atrás): consertar as coisas com palavras vazias, pra não absorver/aprender, esquecer e depois fazer de novo. Achei legal.

    A cena do abate, pra mim, foi algo como “tudo o que você faz tem consequências, seja responsável por elas”, ou mesmo “se você vai aprender a caçar, você precisa aprender por que tá fazendo isso”. Você assistiu o episódio do Alex Atala no Chef’s Table? Essa cena lembrou bastante uma fala dele, que diz que o avô (pai? Não lembro) ensinou que pra comer o peixe você precisa respeitar ele antes e depois do abate: pescar/matar, limpar e comer ele inteiro. A morte dele não pode ser em vão (o que já entra num pensamento bem interessante quanto à indústria alimentícia, mas aí é outro papo).

    E se você analisar num plano geral, ele não parece estar mais naquela vibe de TÁ SAINDO DA JAULA O MONSTRO e matar todo mundo por vingança – parece que ele tá ~de boas~ na dele, ali. Ainda aquele jeitão chucro e bruto dele, mas tentando mudar (antes da fala do “be better” ele começa a gritar, pausa, e começa de novo falando em baixo tom).

    Enfim, essa foi minha impressão. Mesmo que seja diferente da sua, eu quero é mais que tenha mais textos assim pra gente discutir 🙂

    • Thiago Nunes

      Um ponto que eu acho ótimo desse vídeo do novo God of War é quando ele faz que vai colocar a mão no ombro da criança e hesita. No fundo, o instinsto dele é dar alento e ser amoroso, mas ele está preso em uma realidade onde ele tem que se impor como autoridade, etc.

    • riquesampaio

      Existem grandes chances da Sony Santa Monica acertar a mão na relação entre os personagens. Há sinais ali de que eles finalmente vão desenvolver um Kratos com profundidade, em vez de tratá-lo apenas como um ogro desumano e vingativo. A presença de um filho pode fazer com que ele tenha que lidar com sua própria brutalidade e, quem sabe, descobrir humanidade e compaixão no processo. E, pela primeira vez em muito tempo, isso me deixa interessado em jogá-lo.
      O que me incomoda um pouco é o tropo do rito de passagem do filho que, pra virar um homem como o pai, ele precisa lutar, ter coragem, ser frio, matar etc. Ainda mais considerando que o garoto, nos poucos minutos que vimos dele, é o certamente o personagem mais sensível e inocente que já passou por toda a série até hoje. Sei lá, medo de, no final, você ver que ele virou um mini-Kratos destruidor e assassino. Seria só uma enorme decepção.

      • Ontem antes de dormir vi de novo o vídeo por inteiro, e, apesar de continuar com a mesma impressão, achei que a fala final teve esse tom de “putz, ainda pode dar merda” que você disse aí, que ele ainda vai tretar pra conseguir alguma coisa e vai levar o filho junto. Veremos!

  • DOIDO

    Que se foda, não venha trazer viadagem para os jogos, esse é o único lugar do mundo aonde os homens ainda podem ser homens, aonde eu posso mutilar uma vadia gostosa, atropelar gordos, serrar um viado no meio, já não basta pararem um bocado de tempo para falar merda de um bando de bichas aidéticas que morram em uma boate gay, ainda querem colocar o Link como mulher? Sabe porque ele não pode ser mulher? simples… ELE É UM HOMEM PORRA, É RIDÍCULO TROCAR O SEXO DE UM PERSONAGEM ASSIM, DO NADA.
    Vários jogos tem protagonistas feminina, mas vocês querem que TODOS os jogos tenham protagonistas feminina, isso não faz sentido, primeiro porque a maioria das mulheres nem jogam vídeo game, a maioria esmagadora ainda são os homens, e isso nunca vai mudar, sabe porque? as mulheres não gostam de jogar vídeo game, a maioria dessas GAMER GURLS HUUUR SOU NERDE BAZINGA são apenas retardadas querendo chamar atenção de macho, elas nem entendem o que acontece na tela do computador, ela só paga de gamer pra ficar no centro das atenções, você pode ver isso em lives na twitch. Mulheres só sabem jogar jogos tipo Life Is Strange ou Undertale, que são jogos criados especialmente para mulheres e gays, são jogos simples, você vai pra frente e aperta o botão e pronto, ai eles passam maquiagem nos jogos com uma história triste e clichê e pronto, o jogo perfeito para mulheres, mas cadê as mulheres que zeraram Demon Souls? Morrowind? Fallout 2? Ultima 7? Eu tenho certeza que quasse nenhuma, isso porque são jogos complexos demais para a cabeça delas, mas são simples e perfeitos para cabeça de um homem branco.
    Não to falando para vocês largarem os games, eu sei que isso não vai acontecer, mas vamos fazer o seguinte… vocês deixam nós homens com nossos jogos e vocês mulheres/gays ficam com os teus, vocês não interferem nos nossos e nós nos seus, OK?

    • Caio_RB

      Isso foi uma das piores coisas que eu já li nos últimos anos, nem merecia ser replicado. É uma merda atrás da outra.

      • Bruno Leao

        Além disso ele tem tanta certeza e orgulho do que diz que se esconde atrás do anonimato.

        • Thiago Nunes

          Acho que o mais triste é ver a insegurança do sujeito. Coitado, ele só consegue ser homem nos videogames, o “único lugar do mundo onde os homens ainda podem ser homens”.

          Nada mais frágil que uma masculinidade construída em aparências.e cobranças dos outros sobre o que um homem tem que ser.

          • Bruno Leao

            Sem contar que a lista de jogos “Tr00 gamer” nem são tão difíceis assim.

            (Mundo de Gumball é muito amor!)

    • Thiago Nunes

      Obrigado por manter a lei da Internet de que os comentários de uma matéria opinativa em relação a diversidade e representatividade nos games justificam a necessidade dessas opiniões existirem.

      Ao Overloadr. Não censurem o comentário DOIDO do DOIDO. É preciso deixar claro que esse tipo de mentalidade ainda existe e persiste (mesmo que só pareça uma bait gigantesca).

    • Gabriel Maciel Campanini

      ué…

    • Superkei

      “mulheres, mas cadê as mulheres que zeraram Demon Souls? Morrowind? Fallout 2? Ultima 7? Eu tenho certeza que quasse nenhuma, isso porque são jogos complexos demais para a cabeça delas, mas são simples e perfeitos para cabeça de um homem branco. ”

      Consegue compreender mecânicas de vários RPGs e seus diversos dialogos complexos e bem escritos, mas não consegue compreender o quão babaca está sendo neste momento.

      To sem nada pra fazer então bora lá

      1: “monte de bicha aidetica que morram em uma boate gay?” além de escrever mal você ta menosprezando uma vida meramente pela sua orientação sexual? tem certeza que você jogou os jogos do naipe que citou? Porque se sim você não prestou nem um pouco atenção em jogos como Fallout ou Planescape Torment(que você, “gamer de verdade” deve conhecer) que são claramente tolerante com assuntos como orientações sexuais

      2:Link não é UM personagem, são várias reencarnações, já foi loiro, já teve cabelo castanho, já teve cabelo roxo, já teve diversas versões alternativas. Uma Link não seria algo completamente do nada.

      3:Me mostre dados de verdade que mostra que a maioria esmagadora de jogadores são homens, e que a maioria das mulheres não manjam nada de games que eu calo a boca. Mas posso te apontar pelo menos 3 canais de mulheres que falam de videogame de uma forma muito mais profunda do que você falou aqui.

      4:Se você postou esse comentário por piada ou sei lá, saiba que está apenas sendo um babaca e ninguém ta rindo.

    • rodrigo

      oi? isto me parece o novo toten do babaquismo, se este foi sua intenção, ta de parabains

    • Percebi que era um bait safado na parte do “jogos complexos demais para a cabeça delas, mas são simples e perfeitos para cabeça de um homem branco.”

    • E onde no mundo que tão impedindo alguém de “ser homem”..? Seu fake besta.

  • Renata

    Rique, gostaria que você, Heitor e Caio publicassem mais textos dessa espécie. Textos críticos e analíticos relacionados à indústria como um todo. Acho que isso pode diferenciar ainda mais a qualidade do trabalho de vocês, que eu já considero muito bom.
    Eu senti um certo desconforto em ver todos na E3 lamentando a morte de dezenas e dezenas de homossexuais em Orlando e promovendo em seus auditórios grande parcela de diversão barata, frequentemente baseada em carnificina e matança injustificada, com uma visão caricatural, esteriotipada e unidimensional do que seja masculino e feminino e nenhum interesse em se construir novos protótipos de herói. O mundinho deles é pequeno burguês ou da fantasia pequeno burguesa (guerreiros nórdicos, agentes de espionagem brancos, ocidentais ou aquele rebelde cômico, que não chega a incomodar tanto). O meio ainda é muito machista, homofóbico, politicamente conservador e rancoroso. Basta ver as discussões pela internet afora. Mas Hollywood também não ajuda nesse sentido. Cinema “mainstream” tá horrível também. É uma hipocrisia patente, mesmo. Lamentar apenas não ajuda em nada. Um beijo pra todos! Ansiosa pelo podcast da E3.

  • Thiago Nunes

    Quando li o título estava preocupado com o tom sensacionalista que o texto viesse a ter, mas foi bem mais sucinto e escapou por pouco de parecer só o aproveitamento barato de uma tragédia para a discussão de representatividade e diversidade nos games.

    Pessoalmente, eu acredito que os jogos sejam reflexo daquilo que nossa sociedade constrói. E, em termos de fantasia e ficção, não vejo problema em si de um jogo que celebra guerra e violência com personagens hiper-masculinizados como God Of War (aí eu também discutiria o que tem de inerentemente masculino em ser melhor ao invés de pedir desculpas e ensinar seu filho a terminar o que começou e enfiar a faca no animalzinho, mas divago). O problema está em replicar e trazer para a realidade aspectos que estão ali para montar um universo fantástico, mesmo que baseados em atitudes de uma sociedade que devem sim, ser discutidas e transformadas para que possamos evoluir.

    É aquilo, você ainda pode gostar de Rambo e desejar que o mundo seja menos violento. Uma obra de ficção não deve ser a influência do nosso meio e de nossos pensamentos, e sim o contrário.

    Isso dito, não, eu não acho que seja suficiente e acho bem-vinda qualquer atitude que possa tornar diversa e inclusiva a indústria de games. Mas pra que isso aconteça mais especificamente na temática e narrativa de jogos é preciso que tenhamos toda uma estrutura que possa criar e perpetuar isso de maneira saudável (e digo isso em todos os quesitos possíveis. Sendo um bom jogo ou conhecendo seu nicho, ele terá direito a ter seu espaço).

  • Notlim Asuos

    Concordei com praticamente todo o texto do querido Rick, mas a parte que faz menção a “God of war” realmente ficou fora de contexto, pois não foi uma “crueldade” matar o animal. Como qualquer cultura caçadora é representada, foi justamente uma forma de respeito e de acabar com o sofrimento dele que Kratos queria ensinar ( ele não é bruto nessa parte, e sim da o suporte que o garoto precisa ). Como alguém comentou também, ele não poderia ir simplesmente no mercado e comprar um file. Já a parte das desculpas, eu interpretei como: “não fique sempre com desculpas, faça algo pra evoluir”, e ao perceber que esta perdendo o controle, ele respira fundo e muda sua postura um pouco. As ações desse novo Kratos na verdade, levam para uma mudança de atitude do espartano, o que é a mudança de paradigma que é buscada pelo texto.

  • Matheus F.

    Na verdade a questão do Kratos ele está incentivando o filho a melhorar e não se sentir culpado pelo erro que cometeu, e isso é importante na educação de uma pessoa, não vão te passar a mão na cabeça a vida inteira pra só te perdoarem e vão te incentivar a melhorar também, porque do que adianta só se perdoar se você vai cometer o mesmo erro denovo? Além do mais, o Kratos se tornou o pai que conversa em vez do pai que bate, e olha que ele é um espartano criado pra guerra num mundo nórdico agora, o que mostra que ele o mínimo de consciência de perceber a dificuldade do filho e está disposto a ajudá-lo e protegê-lo. E sobre a questão de games violentos e compaixão com os 2 acontecimentos trágicos, a Sony evitou de anunciar o Red Dead novo pois ele mostrava uma cena em um bordel e seria bastante mal interpretada.

    Gostei da posição da Sony e da Ubisoft, para mim foram as que mais se sensibilizaram com o momento, a EA e a Bethesda podem ter se esquecido de mencionarem os acontecimentos, mas eles também deram uma força na causa, a Bethesda trocou o seu avatar da empresa com o símbolo LGBT+ além das fitas de todos os apresentadores nas conferências em questão. Sobre a Microsoft no Project Scorpio, a Microsoft costuma incluir mulheres nas suas apresentações sim, não foi só dessa vez 😡

    A Nintendo, apesar de ser uma empresa de constante inovação, é uma empresa com processo de mudanças lentas e graduais, não diria nem “tradicional e conservadora”, mas que eles fazem isso num ritmo mais lento que as outras empresas em abraçar tendências, a questão é que o Link do Breath of the Wild tem uma aparência bastante andrógena comparada com as dos anteriores , e acredito que uma Link mulher é apenas questão de tempo, só observar a Linkle (ainda tem a esperança de um jogo com Sheik protagonista), mas esse novo Zelda já tem mudanças significativas como a presença de voice acting, então não se deve ter tanta pressa nesse requisito, a Nintendo cumpre suas metas a seu tempo.

    Não vejo problema em debater questões de justiça social nos games, o problema é desmerecer o trabalho das pessoas ou retrair o entretenimento e sentimento que eles propõe a passar apenas focando no impacto e análise social, acredito que há pontos a se focar mas outros poucos concisos ao momento, e você também não precisa se definir SJW para ser pró-causas e direitos essenciais, mas há alguns que excedem isso.

    Uma pessoa consciente se sensibiliza por essas causas mesmo não estando inclusas na defesa por essas causas, pois isso é ter compaixão com a perda de outros seres humanos e devemos nos respeitar.

  • Leandro Rocker

    Ótimo texto.
    Sobre a parte do God of War, se fosse um contexto de um pai ensinando seu filho em uma sociedade como a nossa em 2016 eu concordaria totalmente, mas em se tratando de um guerreiro deus em um mundo como o de God o War, esse ponto não faz o menor sentido.